A última entrevista do presidente Lula, ocorrida ontem no Jornal Nacional, não poderia deixar de carregar as marcas deletérias históricas da TV Globo. A mesma emissora que editou o debate decisivo em favor de Fernando Collor em 1989 e que, usando como pano de fundo do noticiário dutos de esgoto a escoar dinheiro, transformou a Lava Jato em um espetáculo midiático, viveu na quinta-feira (27) mais um capítulo nefasto de sua cobertura política, atolando-se no próprio esgoto.
Foram 40 minutos de interrogatório severo, em estilo inquisitorial, a causar inveja a Sérgio Paranhos Fleury, o temido delegado do DOPS, da época em que até jornalistas da própria emissora eram torturados e mortos nos porões da ditadura militar.
Seguindo o roteiro traçado, os âncoras inquisidores concentraram o debate na tentativa de fazer o candidato confessar ter ciência de supostas irregularidades atribuídas ao seu filho, Fábio Luís. Trata-se de um caso ainda sob investigação da Polícia Federal no qual, até o momento, não foram apresentadas provas materiais ou bancárias de vínculos contratuais com o Ministério da Saúde, mesmo tendo o próprio investigado colocado seus sigilos à disposição da Justiça.
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