A SEMANA SANTA DA MINHA INFÂNCIA EM CARNAUBAIS
A semana Santa em minha infância recebia um influência de nossos avós muito forte, a família era mais consolidada e os pais e avós conduziam sobre a sua cultura cristã a família. Era uma semana diferente, não tínhamos ovos de páscoa mas muito respeito. A data era reservado a reza e os costumes cristãos passados de geração a geração, comia-se pouco como dizia-se, quebrava o jejum, arrumava-se e iniciava-se a romaria para as casas dos familiares para tomar a bênção ao pai, mãe, avós, tios, legítimos e afins, padrinhos e madrinhas. A esmola era garantida, podia ser, uma tapioca, biscoitos, bolachas, um fatia de bolo, uma palma de banana, um cozinhado de batata, jerimum, macaxeira, entre outros produtos ao alcance da culinária fruto da safra dos nossos familiares.
Os quadros e imagens de Santos nas residências eram cobertos com um tecido preto confessando o sentimento de luto pela morte do nosso Senhor Jesus Cristo, na Sexta feira Santa nem os rádios tocavam músicas profanas, somente música religiosas. O comércio fechava e não se pagava nada em dinheiro, lembrando que foi o dinheiro que corrompeu Judas ao ponto de trair Jesus. A data era tão respeitada que nem as vacas eram ordenhadas para o consumo do leite.
Era esperado com muita ansiedade o rompimento do sábado de aleluia, que significava o fim das restrições e a alegria com a ressurreição de Jesus. Por tradição e gozação carregava-se galinhas de um determinado amigo ou da família para a festa de aleluia comemorada com galinha torrada e a gozação com os que perderam a galinha, era o comentário do dia seguinte. Também sempre tinha alguém que mantinha a tradição da queimação do Judas, que na verdade é uma repreensão simbólica aos traidores.
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