segunda-feira, 19 de outubro de 2026

A filosofia do Coronel Chico Heráclito de Limoeiro

 

Em tempos de embates políticos acirrados, onde vale tudo, e golpe baixo faz parte das armas, lembremos do coronel Chico Heráclio, de Limoeiro, no agreste pernambucano. O coronel nordestino era um senhor feudal, de muitas propriedades e gado e sua palavra era lei.

Dominava o feudo e os súditos. Na sua Seara, elegia quem queria. Sendo, bajulado, pois, por quem pleiteava cargo eletivo (até para presidência da República). Dos muitos coronéis nordestinos, Chico Heráclio (1885/1974) o mais conhecido deles (virou até personagem de Chico Anísio, Coronel Limoeiro), importante, influente. Foi um pensador, à sua maneira.

Os adágios a seguir foram pinçados do livro Breviário do Coronel Francisco Heráclio do Rego (1999, editora 20+20), seu bisneto, escritor e diplomata, André Heráclio do Rego.

- Meu filho, este negócio de lei é relativo. Quando ela é alta a gente passa por cima, quando é baixa, a gente pula

-Político sem mandato é feito puta sem cama

- Cuidado, como quem briga com onça, não pode tirar os olhos de cima dela.

-Vamos dar razão a quem não tem, porque quem já tem não precisa dela

-Só se admite a mentira pra salvar uma vida ou a reputação

- Compadre até pra ser doido é preciso ter juízo

- Dinheiro compra cama, mas não compra sono

- Barata sabida não atravessa galinheiro

- Merda quanto mais mexida mais fede

Meu filho, negócio bom e ônibus, que é pago à vista, e o pessoal ainda corre atrás pra pagar

- Muita farofa, é sinal de pouca carne

- Isto é o mesmo que dar bom dia a toco e fazer careta pra cego

- Meu amigo não tem defeito. Meu inimigo, se não tiver eu boto

-Quem  vai na onda é bosta de marinheiro

- Pra fechar um convento basta uma freira ruim.

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