Em tempos de embates políticos acirrados, onde vale tudo, e golpe baixo faz parte das armas, lembremos do coronel Chico Heráclio, de Limoeiro, no agreste pernambucano. O coronel nordestino era um senhor feudal, de muitas propriedades e gado e sua palavra era lei.
Dominava o feudo e os súditos. Na sua Seara, elegia quem queria. Sendo, bajulado, pois, por quem pleiteava cargo eletivo (até para presidência da República). Dos muitos coronéis nordestinos, Chico Heráclio (1885/1974) o mais conhecido deles (virou até personagem de Chico Anísio, Coronel Limoeiro), importante, influente. Foi um pensador, à sua maneira.
Os adágios a seguir foram pinçados do livro Breviário do Coronel Francisco Heráclio do Rego (1999, editora 20+20), seu bisneto, escritor e diplomata, André Heráclio do Rego.
- Meu filho, este negócio de lei é relativo. Quando ela é alta a gente passa por cima, quando é baixa, a gente pula
-Político sem mandato é feito puta sem cama
- Cuidado, como quem briga com onça, não pode tirar os olhos de cima dela.
-Vamos dar razão a quem não tem, porque quem já tem não precisa dela
-Só se admite a mentira pra salvar uma vida ou a reputação
- Compadre até pra ser doido é preciso ter juízo
- Dinheiro compra cama, mas não compra sono
- Barata sabida não atravessa galinheiro
- Merda quanto mais mexida mais fede
Meu filho, negócio bom e ônibus, que é pago à vista, e o pessoal ainda corre atrás pra pagar
- Muita farofa, é sinal de pouca carne
- Isto é o mesmo que dar bom dia a toco e fazer careta pra cego
- Meu amigo não tem defeito. Meu inimigo, se não tiver eu boto
-Quem vai na onda é bosta de marinheiro
- Pra fechar um convento basta uma freira ruim.
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