segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dowbor revela estrago da Selic: bilionário ganhou R$ 400 mil por dia

 

 O economista Ladislau Dowbor, 84, afirma que a Selic em patamar elevado cria um mecanismo de enriquecimento diário para quem já concentra capital, sem contrapartida produtiva, e ajuda a explicar por que a economia brasileira patina, com demanda enfraquecida, investimento baixo e desigualdade persistente. Professor titular de pós-graduação da PUC-SP e ex-consultor de agências da ONU, ele sustenta que o país opera um sistema em que “ganha-se muito mais dinheiro através de processos financeiros do que produtivos”.

Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo, Dowbor recorre a exemplos do cotidiano para mostrar como o dinheiro circula num capitalismo cada vez mais mediado por plataformas, conglomerados e cadeias financeiras globais — e como essa dinâmica transfere renda dos mais pobres para grupos gigantescos. “Pago R$ 350 pelo dia de trabalho da minha faxineira, valor transferido para a conta dela de maneira digital. Como ela tem problemas de saúde, contratou um desses planos geridos por empresas que não entendem nada de saúde. Então descubro que entre os sócios deste grupo está a BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, que administra trilhões de dólares. Ou seja: parte do dinheiro que eu pago para uma pessoa pobre no Brasil vai para um grupo americano riquíssimo –que também é acionista da bandeira de cartão de crédito que eu uso para pagar o café da manhã na padaria.”

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