sexta-feira, 22 de maio de 2026

Análise: O que a Suécia tem que o Brasil ainda tenta conquistar?

 

A distância entre Brasil e Suécia não pode ser medida apenas por indicadores econômicos. Ela aparece nos detalhes do cotidiano. Nos últimos dias, estive em Estocolmo a trabalho e inicio a viagem de volta à capital federal com uma sensação inevitável: ainda estamos muito longe de compreender que qualidade de vida não se resume a renda ou consumo. Ela passa, fundamentalmente, pela estabilidade da vida comum.

A capital sueca impressiona pela limpeza das ruas, pelo transporte público eficiente, pelo silêncio e pela sensação permanente de segurança. Caminha-se tranquilamente com o celular na mão, sem o medo constante de um assalto. Não há grades por todos os lados. Não há paranoia coletiva. É possível sentar em uma praça, entrar em um café ou pegar o metrô sem a sensação de alerta contínuo tão comum nas principais cidades brasileiras.

Não se trata de romantizar a Suécia. O país também enfrenta problemas. Há desafios relacionados à imigração, ao aumento da criminalidade em determinadas regiões e ao alto custo de vida. Mas existe algo que os suecos parecem ter entendido há muito tempo: bem-estar depende da previsibilidade da rotina. O cidadão precisa sentir que sua vida funciona. Não por acaso, a Suécia aparece entre os cinco países mais felizes do mundo no mais recente World Happiness Report, levantamento internacional que mede indicadores de qualidade de vida, confiança social e satisfação da população. Nós estamos em 32°.

Correio Braziliense

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