“Ele começou com 30% de apoiadores e vai terminar com 30% de
camisas negras”, diz o filósofo Vladimir Safatle, professor na USP, em
alusão às milícias fascistas italianas lideradas por Benito Mussolini.
“O que o Bolsonaro está fazendo é reconstruindo a identificação
ideológica dessa minoria”, prossegue o acadêmico.
Safatle opina que emerge do bolsonarismo "a expressão máxima da
ausência absoluta de solidariedade pelos mais vulneráveis, a ponto de se
zombar daqueles que estão morrendo”.
Para Safatle, a novidade desse fenòmeno é essa brutalidade servir à
construção de uma inédita (no Brasil) direita de base popular.
A "revolução" bolsonarista consiste em realizar “uma transformação
radical na estrutura social e cultural do País". Trata-se, segundo o
filósofo da USP, de "uma revolução cultural, como o nazismo foi uma
revolução cultural". O nazismo "não era só um processo capitalista, era
transformação cultural do país" e "é isso que Bolsonaro quer". Safatle
cita o guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, "um sujeito que se diz
filósofo e coloca a batalha cultural como um elemento central". Ainda
segundo Safatle, "essa batalha tem esse horizonte: transformar as
mentes, a maneira com que as relações no interior da sociedade
brasileira vão se dar".
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